Situação atual da Rede Natura 2000

O INFONATUR 2000 aborda vários problemas ambientais, todes eles relacionados com a implementação e o desenvolvimento na Rede Natura 2000:

1. Grande desconhecimento por parte da sociedade em geral da Rede Natura 2000, dos seus valores e recursos naturais.

duda1A sociedade tem conhecimento de figuras de proteção como a de Parque Nacional, Parque Natural, etc., mas apresenta atualmente um desconhecimento muito patente sobre figuras da Rede Natura 2000 como os LIC e as ZEPA, sendo uma alta percentagem de pessoas que desconhecem a própria existência da Rede Natura 2000. Na comarca de Villuercas-Cáceres, 82% das pessoas inquiridas desconheciam em 2008 o que era uma ZEPA, e em Llanos de Cáceres, 97% dos inquiridos desconheciam o que era um LIC*. Uma percentagem muito baixa de pessoas conhecem-na bem, facto motivado pela sua sensibilidade e recetividade à informação ambiental, e outra percentagem conhece-a mas de forma enviesada (desconhecendo os seus objetivos e a sua motivação). Inclusive a população que vive em contacto cotidiano com estas figuras de proteção (agricultores, caçadores, pescadores, agentes turísticos que oferecem produtos relacionados com a natureza, etc.) possui um conhecimento limitado e, por vezes, enviesado do enquadramento legal estabelecido e dos valores naturais que se pretende conservar com essas declarações. Esta situação prejudica seriamente a correta implementação e o desenvolvimento da Rede Natura 2000 levando a práticas pouco respeitadoras para com o meio natural, a apresentar alternativas de desenvolvimento económico que violam a normativa ou a ignorar as possibilidades de desenvolvimento harmónico que se poderiam levar a acabo graças ao reconhecimento que supõe a incorporação de espaços na Rede. Consequentemente, a Rede Natura 2000 ficaria reduzida a uma figura abstrata de proteção, já que a participação e o conhecimento por parte da população destes espaços é imprescindível para a preservação dos valores ambientais.

duda admiracion2. Errada perceção da Rede Natura 2000 por parte do setor primário,  entendendo-a como uma ameaça ao seu presente e futuro económicos e ao seu bem-estar social. Existem setores que mantêm uma visão muito negativa da implementação da Rede Natura 2000, concretamente do desenvolvimento de diretrizes de conservação e da implementação de planos de gestão. 33% dos empresários agrários inquiridos na ZEPA de Llanos de Cáceres acha que nos espaços protegidos não se pode realizar nenhuma atividade e 50% não sabe/não responde; 90% associa espaços protegidos a restrições; 92% acha que os espaços protegidos criam problemas e 85% associa-os a dificuldades*. Este facto, motivado pelo desconhecimento do seu conteúdo, provocou um confronto unilateral entre agricultores e criadores de gado e a administração responsável pelo desenvolvimento desses Planos e pela sua aplicação em alguns espaços protegidos. Paralelamente, existe uma atmosfera de confusão entre os habitantes de localidades presentes dentro de espaços da Rede Natura 2000 sobre as limitações que se impõem nestes espaços. Por isso, esta situação provocou a escassa ou nula participação dos habitantes e diferentes setores produtivos na implementação da Rede Natura 2000 em alguns pontos da geografia espanhola, e, como consequência, está a dificultar os trabalhos de conservação dos valores naturais realizados pela administração competente nesta matéria.

Desarrollo-Sostenible

3. Reduzido desenvolvimento socioeconómico sustentável dos espaços da Rede Natura 2000. Habitualmente, dá-se a coincidência de os espaços presentes na Rede Natura 2000 serem lugares onde se manteve tradicionalmente os usos do solo com um marcado aproveitamento agrícola, de criação de gado e cinegético, o que favoreceu a conservação de uma importante biodiversidade, ou de serem espaços que, devido à pressão do desenvolvimento industrial ou turístico, se manterem como pequenas ilhas de biodiversidade. Assim, como os usos de carácter industrial, agrícola intensivo ou turístico convencional não aparecem representados de forma significativa, estas áreas tendem a ser “zonas economicamente deprimidas”. Porém, estes lugares mantêm uma série de recursos que, à primeira vista, podem passar despercebidos, mas que estão a ter uma procura crescente por parte da sociedade (produtos tradicionais e de qualidade, turismo saudável e de natureza, caça e pesca, atrativos etnográficos e culturais, etc.), recursos que as comunidades locais destes espaços podem explorar de forma sustentável e que seriam um complemento alternativo à economia rural. O aproveitamento destes recursos aumentaria a perceção do “valor” que estes têm para os habitantes e, portanto, favoreceria a “necessidade” da sua conservação, tornando-os, assim, num património valorizado pela comunidade. Este processo resultaria muito positivamente na implementação das Diretrizes de conservação e Planos de Gestão da Rede Natura 2000.
 

promocion

4. Escassa promoção da Rede Natura 2000 e dos seus recursos para o turismo de interior à escala nacional. Um dos principais aproveitamentos potenciais da Rede Natura 2000 é o turismo. Esta atividade evidentemente tem que se compatibilizar com a conservação da natureza, ou seja, deve ser um turismo sustentável ou turismo “verde”. Estes espaços apresentam recursos suficientes para atrair um amplo espectro de turistas, desde um turismo individual de descanso e desfrute num ambiente natural até ao gastronómico, onde se possa consumir produtos silvestres (cogumelos, espargos, cardos, carne de caça, peixe de água doce, mel, licores, fruta, etc.), sem esquecer o turismo organizado dirigido à observação da natureza ou à prática de atividades cinegéticas, pesca, fotografia ou desportos de aventura. É conveniente realçar que este turismo acolhe todo o tipo de público, o que aumenta as oportunidades de êxito. Ainda assim, fica patente num grande número de espaços da Rede Natura 2000 a ausência total deste setor paralelo à valorização precária dos seus recursos. De igual forma, a escassa procura deste tipo de turismo até há uns anos fez com que a promoção destes lugares por parte de operadores de viagens tenha sido muito baixa, à exceção dos Parques Nacionais. A apresentação destes espaços, valores e recursos a estas empresas turísticas, que detetaram o aumento do consumo deste produto, certamente favorecerá o desenvolvimento turístico destas zonas, e sempre segundo o lema de “produto de qualidade”.
 

voluntariado2

5. Escassa sensibilização ambiental na população infantil e juvenil, dos municípios presentes dentro de espaços da Rede Natura 2000. O turbilhão de informação negativa sobre a Rede Natura 2000 que existe em algumas comunidades locais, e a falta de sensibilização e educação ambiental faz com que as gerações futuras careçam de uma visão positiva sobre a conservação da natureza e dos espaços protegidos. Hoje em dia, tem-se uma ideia real da situação atual, mas é provável que se a ideia errada de que “a Rede Natura 2000 é uma ameaça” se dissemina pela população mais jovem, é certo que as crianças de hoje serão os homens e as mulheres de amanhã que não se souberam integrar no desenvolvimento destes espaços e que se poderão tornar num travão para os mesmos e na origem do desaparecimento da biodiversidade existente nestes espaços. É fundamental para o futuro próximo contar com uma geração de pessoas sensibilizadas para o meio ambiente e orgulhosas por viver dentro de um espaço da Rede Natura 2000, as quais indubitavelmente serão um vetor de transmissão dos benefícios e das vantagens destes lugares protegidos.
 
*GEDERUL. 2008. "Gestión y valoración económica de los Espacios Naturales Protegidos y Red Natura 2000 en Extremadura"
 

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